segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Despedida

Um dia
Você me chegou menino,
Sorriso no bolso
E sonhos a um tostão.

Um dia
Nos apalpamos as diferenças
E contando estrelas,
Gritamos ilusões.

Um dia
Nos pensamos um,
Construímos esperanças
E brindamos ao amor.

Um dia
Multiplicamos intenções
E num rasgo de eternidade,
Nos ampliamos outras vidas.

Um dia
Eclipsamos fantasias,
Nos olhamos modestamente
E concordamos as distâncias.

Um dia
O homem arquivou o sorriso
E esquecendo-se do menino,
Fez do brilho um comércio último tipo.

Um dia
Enforcado em gravatas,
Perdeu-se em incontáveis máscaras
E embriagou-se de emoções a granel.

Um dia
Perdi toda a intimidade
Olhei bem...vi um estranho,
E fui embora dizendo adeus.

Virgínia Heine

Maria José

José de Maria ou Maria de José
Maria e José Maria José
Agreste que nem José
Meio Maria em meio a Josés
Maria sem nome nem sobrenome
Maria sem nenhum José
Maria sem querer porque quem quer
Pode ser José mas não Maria
Negra Maria cor da noite
Crente que nem Maria
Nefasta é a marca que traz no corpo
De Maria mas podia ser de José
Mas não é porque Maria esqueceu que quer.

Virgínia Heine

Duda

Um olhar de sofrimento acostumado
Muitos passos pisados no chão do tempo
O ritmo é idoso e cadenciado
Marcas de desesperanças em rugas
Abrindo-se em vincos no rosto negro
Um breve andar de árida emoção
Seca rudeza retirante
Dorso curvado a anunciar o fim
O desejo constante da partida
Apagando a magia do que sorria fácil
Um incontrolável tremor de repente
Faz protelar a hora que não tarda a chegar.

Virgínia Heine

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Encantamento

Estou vivendo um momento que não consigo denominar a patologia
é um de aperto no peito
e um frio no estômago

com pensamentos dispersados
que ao mesmo tempo me confundem
e me deixa com o gosto suave da alegria

é um sentimento avassalador
que me tira do sério
e também me deixa extremamente séria

tem horas que quero dançar livrementte
e em outros me trancar no quarto escuro da solidão

meu riso é solto, mas
constato um defeito nos meus olhos
que são lágrimas que teimam em vazar

é um contentamento descontente
de uma paixão não correspondida

Mas é também um suave lembrar de momentos mágicos

isso é amor
meu amor?

ou não?

paixões passam enfeitando a vida da gente

Darlene Mello

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Silence in dead words

Suffocate I’m feeling with all
The words crossing my throat
Claiming to leave the shady
Space of my own inside

Suffocate I’m feeling with all
Those meanings stuck in their
Own solitude being speechless
Without their aim of exchanging

Suffocate I’m feeling with all
The immensity of silence claiming
To exist without the demanding
Of slavery distant of my dignity

Suffocate I’m feeling with all
The flood of words coming from
Outside of myself bury me
In my own uselessness

Suffocate I’m feeling with all
The barriers built to shut my
Chances of being down instead of
Existing to create personality to share

I remain quit on my own giving up
To make myself understood
I just move on like a corpse myself.

Virgínia Heine

Minha docilusão

Chego ao alto do mar
E no fundo do céu,
No cume do mundo.
Até nas estrelas consigo encostar
E o perfume da flor
Quando se espalha no ar
M’ embriaga de vez
E m’inunda de angustia, pois,
Em ti, não consigo tocar.
Fantasia, romance, é tudo ilusão.
Assim pensam os velhos
E seu sábio coração ancião,
Que muito cansado de por aqui sofrer
Prefere não crer que,
Pelos mundos da rua ainda exista paixão
Petrificado coração navegante da seca.
Não procura mais não, pois,
Sem a ilusão do mar
Coração algum pode navegar.

J.P.Guéron